Resenha | O Enigma da Borboleta - Kate Ellison

terça-feira, fevereiro 07, 2017


Tap tap tap banana.

Lo é uma adolescente com TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) que também tende para a cleptomania. Certo dia, ao sentir a necessidade de pegar mais um objeto para sua coleção, Lo presencia o assassinato de Sapphire, uma jovem dançarina de boate. Lo entra em pânico. Ela conta as rachaduras do chão, dá nove tapinhas numa perna, seis na outra e pronuncia a palavra "banana" para poder se sentir segura.
"O negócio é o seguinte: eu não escolho pegar as coisas.Eu tenho que fazer isso.Sempre tive que fazer certas coisas (...) A principio, não era ruim.Apenas coisinhas, como o jeito que a comida se apresentava em meu prato,ou a necessidade de comer as ervilhas antes do frango, ou de colocar o sapato esquerdo antes do direito.E comecei a pegar coisinhas: uma escova de dentes ou uma barra de chocolate no mercado, canhotos de ingressos descartados no cinema, adesivos das crianças da escola.Mas depois que Oren desapareceu, ficou pior. Muito pior. (...) O meu desejo  não é de pegar ou roubar, mas de possuir e guardar. Eternamente.Comigo. Em segurança."
Tap tap tap banana.
Ela não consegue parar de fazer isso.
Tap tap tap banana.
Três vezes.
Tap tap tap banana.⠀

Sempre números múltiplos de 3 a fazem se sentir melhor. 
Se fizer seis vezes ficará ainda mais protegida.

A morte de Sapphire mexe com a obsessão de Lo. A angústia que a toma é tão profunda e tão devastadora que ela não sossega e faz de tudo para descobrir quem é o assassino. Ela finge ser dançarina de boate. Ela anda por becos escuros. Ela faz o "tap tap tap banana". Ela precisa saber quem a matou. Ela ainda consegue ouvir o tiro. Ela estava lá. Poderia ter sido ela. Se ela não tivesse fugido...
"A eternidade da morte. Sinto-me oscilando entre dois mundos  - carne e ar, osso e pó."
"Braços me agarram pela cintura, tirando meu fôlego. Uma mão se ergue para cobrir meu rosto, meu nariz, minha boca, meus olhos..."
Tap tap tap banana.
Tap tap tap banana.
Outra vez. Só mais uma vez.
Tap tap tap banana.

Que livro! QUE LIVRO! Lo perdeu o irmão mais velho para as drogas. A mãe parece um zumbi à base de remédios. O pai está sempre viajando. Lo é praticamente a personificação da solidão. É angustiante. Li o livro inteiro em uma madrugada porque não conseguia largar. E quando acabou eu não conseguia tirar o tap tap banana da cabeça. E quando acordei no outro dia fiquei pensando que não fazia ideia que o final seria daquele jeito.

O livro - visualmente - é lindo. Capa muito bem feita que condiz com o que a história apresenta, diagramação impecável e nenhum erro de revisão.No mais, O Enigma da Borboleta tem uma narrativa tão poética que vai te puxando para dentro da mente de Lo até você se ver preso ao mistério e fazer de tudo para desvendá-lo também. Surpreendente!

Um suspense eletrizante onde qualquer movimento em falso pode ser fatal. Penélope Marin, ou simplesmente Lo, é uma adolescente um tanto incomum – ela sofre de transtorno obsessivo compulsivo, que ficou mais intenso depois da morte de seu irmão Oren. Além disso, Lo adora colecionar bibelôs, mesmo que tenha que roubá-los (Ela também tem traços de cleptomania). Num desses “resgates” – como ela mesma diz – Lo encontra uma bela borboleta, que pode ter colocado sua vida em perigo. Essa figura está ligada a um assassinato e Lo pode ser a única testemunha desse crime.

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2 comentários

  1. Eu tenho esse livro e estou procurando um espacinho na lista enoooorme desse ano kkkk Caramba amei a resenha, estou com vontade de passar ele na frente de tudo kkkk

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    1. Bota ele na frente simmmm, que vale muito a pena! Hahahaha! Obrigada pela visita, Ane <3

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