As fases do amor em Felicidade Conjugal, de Tolstói

terça-feira, junho 07, 2016



Título: Felicidade Conjugal
Autor: Lev Tolstói
Editora: Editora 34
Páginas: 128

Sinopse: Publicada em 1859, quando o escritor tinha pouco mais de trinta anos, 'Felicidade conjugal' é talvez a primeira obra-prima de Lev Tolstói e prenuncia um tema que terá importância na vida do autor russo - o tema do desejo, neste caso apreendido do ponto de vista feminino.

Opinião: Nem precisou de muito, com apenas 128 páginas, a escrita do Tolstói foi um deleite para mim. É um livro tão curto que nem parece que há tanto sentimento nas páginas. 

Dividido em duas partes, Felicidade Conjugal narra, a princípio, o despertar do amor entre Macha e Sierguei. A jovem ainda muito nova e imatura desconhecia o amor e temia as sensações, medos e ansiedades que esse sentimento lhe causava. Por outro lado, Sierguei, um homem bem mais velho e já vivido - embora também apaixonado - acreditava que não demonstrar seu afeto seria a melhor saída para evitar situações embaraçosas. Mesmo amando Macha, Sierguei acreditava que o relacionamento dos dois seria difícil e incompatível, uma vez que ele preferiria aproveitar sua velhice na tranquilidade da casa de campo, ela teria a ânsia de desfrutar da vaidade e juventude que possuía. 

Mas o amor é um sentimento difícil de conter. Mesmo depois dos avisos de Sierguei, Macha jurou que não se importaria com a sociedade, festas e agitação. Ela estava decidida a viver a vida ao lado dele e ao modo dele, sendo assim, eles se casaram e foram viver no campo.

É a partir desse ponto que começa a segunda a parte da história: Macha, que a princípio amava tudo no marido e a tranquilidade do campo, passou a chatear-se com a calmaria dos dias, o tédio virou seu companheiro e nem o filho recém-nascido lhe trazia alegria. Quando finalmente conheceu a corte e as festas, não quis mais saber de outra coisa. Sentia-se feliz, deslumbrante e revigorada com os elogios dos homens e com o luxo dos salões. Para ela, esse mundo novo, agitado e repleto de galanteios lhe envaideciam e eram a razão do seu prazer. Chateado com o comportamento da esposa, Sierguei era sincero e deixava transparecer nas atitudes e nas palavras seu descontentamento, entretanto, deixava a mulher livre para realizar seus desejos. Nesse ponto da história é possível acompanhar o crescimento de Macha e a passagem de uma menina simples para uma mulher em busca do que quer

Os capítulos finais fazem com que tudo se conecte e tenha um propósito. A história de Macha e Sierguei é um relato da fragilidade de um relacionamento a dois. Tolstói nos contou uma história delicada sobre o amor conjugal, sobre as fases desses amor e principalmente, sobre a paciência e amadurecimento desse amor. Como quem não quer nada, Tolstói contou a história de mansinho, e aos poucos foi deixando reflexões para o leitor e finalizou com excelência passando sua mensagem - embora um pouco triste, mas profundamente real. 

Nota: 5/5
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Beijos e até a próxima <3

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1 comentários

  1. Sabe, eu tenho que ler mais russos. Só li um de Dostoiéviski até hoje. Tolstoi será o próximo, com certeza. Bela resenha Jess. Parabéns!

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